Uma casa. Algumas casas. Diversas moradias que me constituem. Não se trata de multiplicidade de personalidade, mas de facetas, camadas, que ligadas a um núcleo formam o todo que me habita. É quando percebo que é possível vestir as camadas dos outros. Outros que também me fazem e refazem. E esse ciclo não se finda. A cada dia minha casa adquire mais um cômodo. E mudo os móveis de lugar, troco a cor das paredes. E por vezes passo temporadas em outras casas. Minha mais nova aquisição são as sacadas. Quero que todas as janelas e portas tenham uma. É o lugar perfeito para perceber o que me circunda. Como é bom ver o jardim do vizinho. Ver que ele gosta de azaléias e da cor verde-água. Que ele gosta de luz, já que suas janelas são grandes, mas preserva seus momentos íntimos já que elas possuem cortinas. E quando volto para interior da minha casa, deito no tapete da sala para ver o teto. E é quando decido: vou aumentar o pé-direito! Quero uma casa mais alta!
Hasta
Vide Alex



