Sobre casas e camadas – Divagações dos sentidos

Uma casa. Algumas casas. Diversas moradias que me constituem. Não se trata de multiplicidade de personalidade, mas de facetas, camadas, que ligadas a um núcleo formam o todo que me habita. É quando percebo que é possível vestir as camadas dos outros. Outros que também me fazem e refazem. E esse ciclo não se finda. A cada dia minha casa adquire mais um cômodo. E mudo os móveis de lugar, troco a cor das paredes. E por vezes passo temporadas em outras casas. Minha mais nova aquisição são as sacadas. Quero que todas as janelas e portas tenham uma. É o lugar perfeito para perceber o que me circunda. Como é bom ver o jardim do vizinho. Ver que ele gosta de azaléias e da cor verde-água. Que ele gosta de luz, já que suas janelas são grandes, mas preserva seus momentos íntimos já que elas possuem cortinas. E quando volto para interior da minha casa, deito no tapete da sala para ver o teto. E é quando decido: vou aumentar o pé-direito! Quero uma casa mais alta!

Hasta

Vide Alex

Inerte

Tomado pela indiferença, fui obrigado a conviver com este sentimento mesquinho. Trata-se de um processo consciente. E assim me sinto ainda pior. Já sabia que este seria  o desfecho. E o que fiz para corrigi-lo? Nada. Fiquei inerte perante a vida. Os acontecimentos me tomaram de assalto e a indiferença me tomou por inteiro. E minhas incursões pela mudança se transmutaram em fatos malogrados. Permaneço em silêncio, não quero falar, não quero relação alguma. Deixei congeladas as lembranças possivelmente agradáveis, em nome de um nada que domina. É um nada o que sinto. E como numa atitude execrável: é esse nada o que quero continuar sentindo.

 

Hasta,

Vide Alex

Impressões comumente dispensáveis

E de repente me percebo assim, inundado de um silêncio que é meu. É como retornar para o lar após uma longa viagem. Aquele sentir de pertença, de cama quente, de sofá da sala… Mas a viagem não foi tão longa, foi só um encontro com as paixões que me constituem. E sempre que as paixões e o silêncio se confrontam, vejo que sou um campo de batalha, onde opto por debelar o que não pode ser suprimido. Então me refaço, intentando alcançar um equilíbrio que nem ao menos sei se já degustei um dia. Mas prossigo em um caminho inóspito, ou melhor, repleto das várias partes de um único “eu”, que habita um corpo repleto de desejos, mas que anseia por ser decifrado. E é um conjunto de signos que se tornam ininteligíveis. E como em um surpreendente “insight”, me questiono se é preciso ser possuidor de todas as respostas. Sem atingir uma conclusão plausível, decido voltar para aquela viagem. E o ciclo infindável se renova.

Hasta,

Vide Alex

Dinâmicas mutáveis

A vida tem uma dinâmica que, às vezes (leia-se “quase sempre”), é impensável.  Confesso que me encantam os momentos em que ela me supreende, ou melhor, quando eu mesmo me supreendo, já que tenho acreditado, sempre mais, no meu papel de agente transformador da realidade. Sentir-se estático ou em processo de expansão… tudo leva a um “transformar-se” contínuo,

Pois viver deveria ser – até o último pensamento e derradeiro olhar – transformar-se…

Hasta,

Vide Alex

Um possível caminho…

Silêncio….. É sempre uma ótima opção!!! Para refletir, para descansar, para criar, para encontros (principalmente se for com você mesmo). É no silêncio que nossa percepção aumenta, que nos deixamos conduzir com verdade, que somos capazes de chegar mais perto do que seria o equilibrio.

Permito-me silenciar para que me seja permitido entender quem sou e porque sou. Para que minhas inquietações se transformem em grandes angústias ou em indagações efêmeras.

É mais que um estado sensorial… é uma possibilidade do ser… São momentos!!!

Hasta

Vide Alex

Um pequeno pensamento sobre a liberdade

Que medo é esse do que supostamente é estranho? Do que não tem muita forma definida? Do que não se encaixa em padrões pré-determinados? Acho que é a difícil tarefa de ser livre!!! Não é seguro ser livre. É preciso coragem e ousadia.  É como deixar de ser guiado, sem “tutores”…. Será um aprendizado?

Tenho a impressão que seremos eternos aprendizes

Hasta

Vide Alex

Sabático

Depois de um pequeno período sabático volto a postar. Não foi por falta de assunto ou de acontecimentos. Foi simplesmente por não querer falar.  Apesar da falta que escrever aqui me faz, optei pelo silêncio. Mas voltei e com vontade de dizer, continuar a exorcizar meus fantasmas, reclamar da minha constante falta de tempo, pseudo-filosofar sobre assuntos pseudo-importantes, reclamar um pouco das agruras da vida. Enfim… preencher minha cozinha!!!

Hasta

Vide Alex

Sobre minimalismos e fragilidades

Tenho me incomodado com a impressão de que o mundo contemporâneo exige do indíviduo um constante processo de expansão. As vezes sinto que o maior, mais abrangente, com maior amplitude é valorizado e buscado incessantemente por todos. Deixando de lado características da personalidade (sou extremamente expansivo), me vejo em situações em que desejo estar menor, menos brusco, mais vagaroso… um momento de minimalismo pessoal. E não é por fraqueza ou covardia. É simplesmente por desejo! E mesmo que seja por fraqueza… estar menor me ajuda a entender a origem da força!

Coloco-me, então, no direito de exercer minha vontade de diminuir e silenciar, para sentir os detalhes.

Não quero uma síncope arrebatadora… quero a singeleza da fragilidade.

Hasta

Vide Alex

Inspire-se

O que dizer quando vem aquele “insight”… Para mim é incrível, é como perceber que a novidade ainda existe e que ela não se restringe apenas no que tange a tecnologia. É possível inovar em tudo e a todo momento… Difícil mesmo é aceitar o novo, mas é aí que está a graça: testar nossa capacidade de adaptação.

“A inspiração vem de onde
Pergunta pra mim alguém
Respondo talvez de longe
De avião, barco ou ponte
Vem com meu bem de Belém
Vem com você nesse trem
Nas entrelinhas de um livro
Da morte de um ser vivo
Das veias de um coração
Vem de um gesto preciso
Vem de um amor, vem do riso
Vem por alguma razão
Vem pelo sim, pelo não
Vem pelo mar gaivota
Vem pelos bichos da mata
Vem lá do céu, vem do chão
Vem da medida exata
Vem dentro da tua carta
Vem do Azerbaijão
Vem pela transpiração…

E canta Ney

Continuemos a degustar o novo…  E que seja doce para todos (utopia?!?)

Hasta

Vide Alex

Expressão…

Não utilizar as palavras para comunicar é algo ainda novo para mim. Tenho uma necessidade imensa de falar ou de escrever  e me sinto confortável assim. Mas sair da zona de conforto pode ser um aprendizado único e necessário. Acho que é isso que a dança tem me mostrado: como estabelecer um processo de  comunicação sem palavras. Pode parecer simples, se pensarmos na máxima de que “o corpo fala” . Mas não é fácil assim… é como qualquer outro processo de comunicação:  “dizer”, ouvir as interpretações e viver as relações. E é aí que se encontra a beleza de dançar: é tão íntimo e tão coletivo.

E através da dança digo, grito, vivo…

Hasta

Vide Alex

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